domingo, 6 de janeiro de 2013

Nasceu nosso príncipe


     Era 02 de janeiro de 2013, 14h. Estamos nos preparando para sair para a maternidade. Pela manhã uma amiga me ajudou a organizar a casa e deixamos tudo pronto para a volta. Estava calma, serena. Fomos conversando no trajeto. Ao passar a ponte sobre o Rio Guaíba e avistar a cidade de Porto Alegre (visão que sempre me agrada) “senti um frio na barriga”. Tinha chegado a hora.
     Confesso que foi estranho. Sempre sonhei com a ida para o hospital com contrações e dores, calculando o tempo, etc. Mas nem tudo é como a gente imagina e entre o sonho/ideal e o real há uma distância grande.
     Chegamos cedo a maternidade. Providenciei a internação, toda aquela burocracia. A cesárea estava marcada para 16h. O obstetra chegou 16h10min, mas só entramos na sala de parto 17h.
     Estava tranquila, procurei ficar o mais relaxada possível na hora da anestesia, afinal, de tudo é a parte mais perigosa. Deitada na cama ouvia a conversa de todos. Ficar de barriga para cima me trazia muitos desconfortos, uma pressão no peito, no pulmão, mas tentei ficar calma e administrar os desconfortos.
     Na hora de nascer o médico começou a empurrar a lateral da barriga para tirar o bebê, a auxiliar fazia o mesmo do outro lado. A anestesista se ofereceu para ajudar e empurrava de cima. Isso mesmo, os três empurravam! A pressão no pulmão era ele lá, a anestesista confirmou. Eu dizia sempre para ele que se não saísse de uma vez ia ficar entalado, quase ficou mesmo.  Mas ele saiu. Não ouvi choro só uns gemidos, ele foi chorar depois de uns 15s.
     Quando baixaram o pano para eu olhar e eu vi aquela coisinha gorda... nunca mais vou esquecer esta cena, não há como descrever o que eu vi. A única coisa que eu consegui pensar foi “ele é muito lindo”. Não chorei, minha cabeça estava tentando processar, acho que eu estava meio perdida, não dá pra explicar.
Levaram para os procedimentos e depois trouxeram para eu ver. Eu não podia mover os braços, não pude fazer nem um carinho. Só cheirei, beijei a mãozinha, falei com ele e tentei acreditar que ele era meu. Coisa que confesso até agora é difícil.
     O papai Carlos estava em êxtase! Ele veio com a enfermeira e o Lucas e só sabia repetir “ele é muito lindo, ele é muito lindo!” Mas embora eu não falasse pensava a mesma coisa.
     Enquanto aguardava o final do procedimento da cesárea (ou seja, eles me fecharem) fiquei tentando “digerir” tudo. Era o meu bebê, que agora estava do lado de fora. Um pouco depois a médica assistente perguntou o peso do bebê para colocar na no sistema e o obstetra falou “4,310Kg”. Na minha cabeça eu pensei “oque??? Tudo isso?” Perguntei qual era a medida e ainda não sabiam informar. Só na sala de recuperação meu esposo falou “56cm” eu falei “quanto?” e ele confirmou “56cm”. Eu nunca conheci um bebê que tivesse nascido de 56cm. Confesso que neste momento toda a minha frustração de não ter um parto normal passou. Pois, quem não ia passar era ele. Ele é um bebezão! Um fofo!
     Está aí nosso príncipe. Nosso anjo, presente de Deus! Somente Deus para fazer algo tão perfeito quanto gerar uma vida dentro da outra. Somente Deus para me dar muito mais do que pedi! A Ele toda honra e toda glória!!!

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